O caminho até o título brasileiro foi longo e repleto de viagens pelo país. Mas existe um trajeto antigo que Maria Elisa nunca irá esquecer. Campeã do Circuito, ao lado de Talita, a fluminense de 24 anos voltou no tempo depois da conquista em Pernambuco e lembrou dos “anjos” que passaram por sua vida. Um deles, o motorista Paulinho, foi especial. Ele foi o responsável por levar a jogadora todos os dias da casa dos tios no Recreio dos Bandeirantes aos treinos em Ipanema. E com um detalhe m
- Eu não tinha dinheiro para pagar a passagem de R$ 4 diariamente. Então, ia com ele só algumas vezes. Uma vez, Paulinho me perguntou o motivo de eu não pegar a van sempre e eu contei. A partir dali, ele disse que eu não precisava mais pagar. Foi um anjo que passou na minha vida. Fez isso porque acreditava no meu potencial – lembra a jogadora, que afirma não ter mais tanto contato com Paulinho, mas garante que ele virou um amigo da família.
A gratidão de Maria Elisa pelo mot
orista é tão grande que, quando ela venceu o título brasileiro sub-21, a entrevista após a partida teve apenas um assunto: Paulinho.
- Minhas amigas brincam comigo até hoje. Eu estava tão emocionada que esqueci de todo mundo, só agradeci ao Paulinho da Van (risos). Mas agora vou fazer diferente – brincou a fluminense.
Maria Elisa lembra dos 'anjos' do passado
A comemoração nas areias do Recife também teve um gostinho especial para Maria Elisa. Sem fugir do clichê “um filme passou na minha cabeça”, a jogadora lembrou do início da carreira. Em 2005, a atleta não tinha registro na federação do Rio de Janeiro, devido a uma falha burocrática da instituição. Por isso, não podia aparecer no ranking brasileiro, mesmo já tendo conquistado resultados que a colocaria em uma boa posição. Como sua parceira, Carla, era de Pernambuco, ocorreu o convite da federação do estado para que a dupla fosse treinar no local e a oferta do pagamento de passagens aéreas para a disputa do Circuito Brasileiro.
- Receber essa medalha aqui é como se fosse um agradecimento. Nasci em Resende (RJ), mas, às vezes, digo que sou pernambucana. Não sinto necessidade de mudar a minha federação porque sempre tive muito carinho por esse estado que me recebeu quando eu precisei – conta, emocionada.
Parceria com Talita deu certo no primeiro ano
Ciente de que sua trajetória até o título nas areia de Recife, nesta sexta-feira, teve ainda muitos “anjos”, Maria Elisa fez questão de lembrar da contribuição de cada parceira que teve na carreira para sua evolução no vôlei de praia.
- Todas as parceiras que tive me ensinaram alguma coisa. A Fernanda era minha melhor amiga e jogava com muita alegria. A Nina não desistia de nenhuma bola. A Carla insistia na importância de um treinamento sério. A Val me forçou a enxergar a adversária como uma rival mesmo, porque eu era muito boazinha. Já com a Talita, conseguimos deixar os defeitos de cada um de lado e focar nas qualidades. Com isso tudo, o relacionamento dentro e fora de quadra funciona. E ainda conseguiremos muito mais.

Nenhum comentário:
Postar um comentário